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sábado, 4 de maio de 2013

FILOSOFIA E SOCIOLOGIA



Dicas para Filosofia e Sociologia no ENEM

Uma das novidades que o ENEM deste ano traz para o estudante é a inclusão da filosofia e da sociologia na prova. Nas metas estabelecidas pelo MEC, uma delas exige que ao final do ensino médio o estudante possua domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. Desta maneira, o que podemos esperar nessas duas estreias é uma prova com questões mais reflexivas, tanto no que toca aos textos utilizados – com o possível aparecimento de fragmentos filosóficos, como também na problematização dos conteúdos – que podem demandar do estudante uma reflexão mais aprofundada. Apesar das duas disciplinas situarem-se no grupo das Ciências Humanas e suas Tecnologias (grupo III), não podemos deixar de enfatizar o caráter transdisciplinar da prova, e por este motivo, que o estudante não se espante se encontrar numa questão de matemática elementos da lógica filosófica, ou mesmo uma reflexão sociológica num texto literário! Temas como o multiculturalismo, os desafios da democracia ontem e hoje, a dinâmica envolvendo as instituições e o papel dos movimentos sociais podem ser bem explorados nas ciências humanas; assim como o estudante pode ser levado a confrontar as diversas teorias científicas surgidas ao logo da história com o registro habitual encontrado no cotidiano; interpretar as diversos tipos de interação humana com o meio ambiente, analisando suas possíveis implicações éticas, ambientais, sociais e/ou econômicas.  

sábado, 2 de março de 2013

Educação ética e política – formação de valores e exercício da cidadania e democracia


A criança aprende, desde muito cedo, a valorar e a perceber as implicações políticas de seu ser e agir no mundo. Ela ainda não tem estas noções tematizadas, ou abstraídas nestes conceitos, mas são capazes de percebê-las. Ela se comove diante da injustiça, do sofrimento e de toda forma de barbárie do mundo globalizado: pobreza, degradação ambiental, violência, fome, abandono, etc.
Elas ficam indignadas diante das injustiças. As crianças vivem diariamente os conflitos e contradições de um mudo que propõe o consumismo e o prazer imediato. Elas questionam estes fatos e querem saber as razões que levam o ser humano a agir desta forma. Elas se interessam em buscar saídas para estes desafios. Se a realidade é desafiadora ética e politicamente, ela é também esperançosa para uma educação voltada para a formação do sujeito moral e político de forma livre, autônoma e crítica.
Filosofia para Crianças é uma forma de investigação ética sobre os valores, permitindo a construção da identidade de forma livre e responsável. Não é, portanto, uma prática moralizante em que valores, normas e leis são incutidas para serem seguidos como verdades absolutas. O diálogo que se estabelece no processo coletivo de construção de uma Comunidade de Investigação toma os significados dos valores do universo cultural e os submete à reflexão.
A própria Comunidade de Investigação já constitui um paradigma de vivência de valores éticos: o respeito mútuo, a cooperação, a solidariedade, a justiça, a empatia e tolerância diante das diferenças, o cuidado pelo outro, a confiança entre os membros, a esperança nas capacidades humanas. O ser ético é o que leva em conta o outro no processo de valorar e de agir.
A vivência destes valores na comunidade de investigação pode alimentar a continuidade de sua experiência nos relacionamentos em uma sociedade multicultural. Este é o sentido ético-pedagógico deste paradigma filosófico-educacional.
Filosofia para Crianças incentiva e busca desenvolver as capacidades da criança de pensar sobre os valores éticos e torná-los guias para a ação humana. A vida democrática é a que oferece as melhores oportunidades para o crescimento moral e o exercício da liberdade de pensar, expressar e escolher. Quando a criança começa a filosofar – o diálogo investigativo sobre a linguagem que usamos para dar significados ao mundo – está exercitando sua cidadania. Nestas condições, a criança é um ser ético e cidadão, é um sujeito que existe ao mesmo tempo “em si” e “para si.” Ela é protagonista de sua experiência.
Não se trata de um conceito de cidadania fechado, mas aberto à investigação dos sentidos pela própria comunidade. Ser cidadão no mundo atual exige o desenvolvimento da capacidade de pensar e agir de forma crítica, criteriosa, ética, estética levando em conta a justiça e o bem comum. Daí que o exercício da cidadania passa necessariamente pela investigação rigorosa, participativa e pública dos significados e referências da comunidade, constituindo-se uma prática do filosofar ético e político. Neste sentido podemos afirmar que filosofia para crianças tem uma clara política da e para a infância.
Cidadania é muito mais do que reivindicação de direitos e cumprimento de deveres é um paradigma de conhecimento e de vida democrática alicerçado no diálogo e na investigação.
As crianças têm muito interesse e gosto de participar deste processo e é nele que descobrem suas potencialidades e as colocam para o serviço da comunidade toda. Elas adquirem um senso de valor de si mesmas e da comunidade que se traduz no aumento da auto-estima.
A auto-estima tem pelo menos duas dimensões: uma cognitiva e outra afetiva. Por um lado a autoconsciência de que é capaz de que se é capaz de pensar, julgar e autocorrigir-se; por outro lado o sentimento de confiança em si mesmo e nos outros capaz de respeitar e ser respeitado, amar e ser amado. Neste sentido, a auto-estima significa ganhar poder na autodeterminação do próprio destino e no destino do mundo. Responder às perguntas “que pessoa quero ser?” e “em que mundo quero viver?” considerando as condições individuais, sociais e culturais é um desafio diário, já que não são perguntas com respostas acabadas. É um esforço na direção da busca da vida boa e feliz. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

FILOSOFIA PARA CRIANÇAS - Como Avaliar?


          Ao lecionar Filosofia para Crianças os professores se preocupam com o que avaliar e como. Na proposta de ensino filosófico é preciso dispor de muitos recursos para avaliar ensinando e ensinar ao avaliar.  Desta maneira a avaliação é muito mais do que um simples exame que o professor faz do que o aluno sabe; ao contrário dos modelos pedagógicos tradicionais, o ensino filosófico não dispensa o diálogo e este é apenas um dos modos de avaliar.

          Em geral não há uma avaliação propriamente dita, mas muitas avaliações e auto avaliação, porque é feita no cotidiano escolar, a cada momento o educando está se desenvolvendo cognitivamente e sócio-afetivamente e isto pode ser percebido por ele mesmo de tal maneira que o aluno assume uma condição ativa na atividade avaliativa realizada por ele.

          Na sala de aula, em princípio, os pequenos aprendizes ouvem atentamente as leituras e participam dela, como vimos no texto sobre algumas motivações de leituras, daí as crianças demonstram as possibilidades de temas a serem trabalhados e formulam indagações para problematizar o tema; desde os momentos iniciais da aula, na organização do ambiente, a hora de leitura e na problematização realiza-se avaliação lúdica. Por exemplo, uma sugestão é o professor preparar papéis coloridos que representam bônus a serem entregues aos alunos por cada participação na aula e no final do bimestre a soma dos bônus resultaria em uma parte da pontuação ou conceito atribuído.

          Em sequência, ocorre discussão sobre o tema escolhido pelos alunos no momento deliberativo, o debate é uma excelente ocasião para promover auto-correção. Rever os conceitos expressados desenvolve o exercício de raciocínio lógico e a autocorreção tem valor imensurável nesta comunidade com ideias compartilhadas e respeitadas.

       Nas atividades avaliativas pode-se julgar o conteúdo, o aprendizado, o cumprimento das regras conforme os combinados, o grupo atuando em equipe, a cooperatividade dos alunos auxiliando uns aos outros e a aula em si por analogia com objetos estranhos trazidos pelo professor.

          Comumente, no tradicionalismo pedagógico o professor mostra os erros dos alunos, neste megaparadigma o educando tem a oportunidade de refazer o seu feito tornando-se capaz de corrigir seus próprios erros.

          A auto avaliação pode ser realizada de diversas maneiras, individual ou em grupo, a partir do modo como o aluno expressa singularmente o que aprende. Assim como há vários modos de aprender existem muitas vias para identificar o aprendido. Uma das formas de verificarmos o aprendizado deveria ser principalmente a efetivação atitudinal; isto é, o ensinado precedido de ato prático funcional, fica claro que uma criança aprendeu de fato que não se deve jogar lixo no chão quando ela passa a colocá-lo somente na lixeira. Sendo assim, avaliar o ensino-aprendizado perpassa pela observação correctiva e não coercitiva a fim de proporcionar autonomia.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Quais são as Habilidades e Competências desenvolvidas em Filosofia para Crianças?


                     Nos estudos contemporâneos sobre Filosofia para Crianças no século XXI encontramos muitas possibilidades de trabalhar as habilidades e competências dos alunos em sala de aula. Sabemos que cada pessoa é única e, portanto, singular; por isso, notamos que as crianças precisam de atenção específica para atendê-las conforme suas necessidades.

                      Na prática filosófico-pedagógica trabalham-se as habilidades e competências  a  partir  das  especificidades de cada educando. Isto é, o profissional da educação procura agir metodologicamente, de acordo com o nível  de  entrosamento  possível  alcançado  entre os alunos nas atividades educacionais,  a  fim de  aprimorar  a  produção  intelectiva  do  discente e acrescentar novos dados cognitivos às delimitações categóricas na evolução do ensino-aprendizado.

Sendo  assim,  podemos  viabilizar  o  desenvolvimento  da  competência  e habilidade geral de: Fala, Leitura e Escrita, enfatizando o Ouvir como o mais difícil de ser alcançado com precisão.

Para desenvolver habilidades e competências em Filosofia para Crianças é importante proporcionar que o educando constitua sua capacidade de:

atenção,
observação,
análise,
criatividade,
curiosidade,
abstração,
crítica,
reconstrução racional,
pensar múltiplas possibilidades para a solução de problemas,
do desenvolvimento do pensamento sistêmico,
emitir pareceres,
compartilhar,
auto correção e reconhecimento da falibilidade,
compreensão e sensibilidade referente aos fenômenos,
flexibilização diante de incertezas,
suportar as inquietudes,
conviver com o imprevisível,
acolher a diversidade.

Estas capacidades integram a Atitude Investigativa na qual os alunos são inseridos em aulas de Filosofia para Crianças. Eles  aprendem  também  a clarificar  as  ideias,  participar  das  atividades  com espírito de equipe, respeitando as opiniões e voltando atrás quando necessário para que haja razoabilidade.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Educação do pensamento – Aprimorar a capacidade de pensar



Filosofia para Crianças propõe que os conceitos e problemas sejam investigados utilizando-se das habilidades de pensamento (habilidades de raciocínio, investigação, interpretação e conceituação) e das habilidades sociais, estas ligadas à empatia, descentralização e agir com base a regras estabelecidas em comum. As habilidades são capacidades que permitem um pensar bem sobre os conceitos. O melhor ambiente para aprender a pensar é a pedagogia da Comunidade de Investigação. Aprender a pensar por si mesmo sobre o próprio pensar é uma forma de investigação filosófica que emprega a lógica para um pensar crítico, a dimensão estética para um pensar criativo e a dimensão ética para um pensar cuidadoso.
O pensar multidimensional – crítico, criativo e cuidadoso – está ancorado no campo filosófico. A pedagogia para o aprender a pensar bem é o diálogo investigativo em comunidade. O mesmo processo pode ser ampliado para as outras práticas pedagógicas nas diversas áreas do conhecimento. Pensar é uma atividade holística e a filosofia contribui com uma perspectiva interdisciplinar. 
 Filosofia para Crianças propõe que os conceitos e problemas sejam investigados utilizando-se das habilidades de pensamento (habilidades de raciocínio, investigação, interpretação e conceituação) e das habilidades sociais. As habilidades são capacidades adquiridas pela experiência que permitem um pensar bem sobre os conceitos e problemas.
Pensar bem tem as características de ser autônomo, reflexivo, crítico, criativo, cuidadoso, autocorretivo. Estas capacidades orientam os procedimentos que a inteligência deve tomar em determinada situação problemática. Portanto, são procedimentos inteligentes desenvolvidos através da prática, avaliados e reconhecidos como recursos, instrumentos ou ferramentas do pensamento para construir o conhecimento. São recursos, instrumentos ou ferramentas que permitem nosso pensamento ampliar o conjunto de conceitos e formas de resolver problemas. As habilidades estão em constante processo de aprimoramento á medida em que são empregadas no processo reflexivo ou investigativo. Elas são constituidoras da inteligência humana.

Lipman criou uma classificação de habilidades em quatro grupos:

a) Habilidades de raciocínio: inferir, comparar, identificar semelhanças e diferenças, contrastar,  dar razões, definir, aplicar critérios, detectar pressupostos, ambiguidades, contradições, etc.

b) Habilidades de investigação: observar, problematizar, formar hipóteses, verificar, provar, mesurar, descrever, sintetizar, concluir, etc.

c) Habilidades de formação de conceitos: estabelecer relações de parte-todo / meio-fim / causa-conseqüências, definir, generalizar, etc.

d) Habilidades de interpretação ou tradução: parafrasear, narrar, descrever, interpretar, perceber implicações, criticar, etc.

          As habilidades sociais dizem respeito às capacidades de trabalho com o outro na comunidade. Elas estão ligadas à empatia, à forma de lidar com as próprias emoções, à descentralização e ao agir com base em regras estabelecidas em comum.
       O melhor ambiente para desenvolver as habilidades e aprender a pensar é a pedagogia da Comunidade de Investigação. Aprender a pensar por si mesmo sobre o próprio pensar é uma forma de investigação filosófica que emprega a lógica para um pensar crítico, a dimensão estética para um pensar criativo e a dimensão ética para um pensar cuidadoso. O pensar multidimensional – crítico, criativo e cuidadoso – está ancorado no campo filosófico. A pedagogia para o aprender a pensar bem é o diálogo investigativo em comunidade. O mesmo processo pode ser ampliado para as práticas pedagógicas nas outras áreas do conhecimento. A filosofia contribui com uma perspectiva interdisciplinar, buscando um pensar holístico sobre a experiência.